Minhas coisas brilhantes ✨

As minhas coisas brilhantes: o que Mariska Hargitay me fez perceber sobre a vida

Há algum tempo eu descobri uma entrevista da Mariska Hargitay que acabou me levando para um lugar que eu não esperava. Eu estava, como tantas vezes acontece comigo, olhando uma coisa na internet e fui parar em outra completamente diferente e dessa vez, fui parar em uma conversa sobre teatro, Broadway, Mariska Hargitay e ✨ uma lista de coisas brilhantes ✨.

E eu fiquei absurdamente encantada com a ideia!

Não porque a lista fosse composta por grandes acontecimentos. Não era uma lista de conquistas, de objetivos alcançados, de lugares para conhecer, de coisas caras ou de momentos extraordinários – era justamente o contrário! Eram pequenas coisas e algumas aparentemente bobas, outras muito específicas… coisas que talvez não significassem absolutamente nada para outra pessoa, mas que, para ela, tinham alguma espécie de brilho.

E foi assim que eu descobri Every Brilliant Thing.

A peça, escrita por Duncan Macmillan com Jonny Donahoe, nasceu originalmente em 2013 e foi produzida pela Paines Plough e pela Pentabus Theatre no Ludlow Fringe Festival, depois disso ganhou uma trajetória enorme: passou por diferentes países, foi adaptada e apresentada em dezenas de lugares e acabou chegando à Broadway em 2026. A produção passou pelo Hudson Theatre, em Nova York, e teve Daniel Radcliffe (eterno Harry Potter) como primeiro protagonista da temporada, seguido por Mariska Hargitay e depois Tracee Ellis Ross.

E eu queria muito ter assistido – mais uma coisa pra minha lista de descobertas ‘póstumas’. Descobri a peça tarde demais para isso, porque a temporada da Mariska já terminou, ela fez sua estreia na Broadway justamente com Every Brilliant Thing de 26 de maio a 5 de julho de 2026. Depois dela, Tracee Ellis Ross assumiu o papel até o encerramento da produção, em 9 de agosto. Eu vi que tem a peça na Prime Vídeo para alugar e em algum momento eu vou fazer isso xD.

Paciência. A vida também é feita dessas coisas: descobrir alguma coisa depois que a oportunidade passou, mas talvez exista uma coisa interessante nisso. Eu não assisti à peça, mas encontrei uma pequena parte dela de outra maneira. Encontrei a lista.

Afinal, o que é Every Brilliant Thing?

A premissa da peça é, ao mesmo tempo, simples e dolorosa. A história acompanha uma pessoa desde a infância e começa depois de uma tentativa de suicídio da mãe. A criança, tentando encontrar uma maneira de lidar com aquilo e, de alguma forma, mostrar à mãe que a vida ainda pode ser boa, começa a fazer uma lista de todas as coisas brilhantes que existem no mundo (fofo vai). Pequenas coisas que fazem a vida valer a pena e a lista começa crescendo junto com a personagem e conforme a vida acontece, ela vai ganhando novos itens, novas memórias, novas descobertas e novas razões para continuar olhando para o mundo. O mais interessante é que a peça não trata a lista como uma solução mágica para a depressão. Não é uma história de “pense positivo e tudo ficará bem” – a própria construção da peça reconhece que existem dores que uma lista não consegue resolver, o que ela consegue fazer é outra coisa: nos obrigar, por alguns instantes, a prestar atenção.

E talvez seja justamente aí que esteja a força dela.

Every Brilliant Thing é um espetáculo solo, mas não é uma experiência completamente solitária, o público participa, pessoas recebem números, falas e pequenas funções; algumas são convidadas a participar da narrativa. A relação entre quem está no palco e quem está na plateia faz parte da própria experiência. Uma crítica da apresentação no Edinburgh Fringe, em 2014, descreveu justamente essa característica como uma das grandes forças da peça: a plateia não fica apenas assistindo, ela acaba se tornando parte da história e talvez seja por isso que uma história tão específica consiga se tornar tão universal.

Porque todo mundo tem uma lista, mesmo que nunca tenha escrito uma!

A lista de coisas brilhantes da Mariska Hargitay

Foi enquanto se preparava para interpretar a peça que Mariska Hargitay resolveu fazer a própria lista.

E isso foi justamente o que me encantou.

Em uma entrevista do The Daily, o entrevistador pergunta qual das coisas brilhantes da peça fala mais com ela. Mariska conta que, durante a preparação para o papel, começou a fazer sua própria lista — e, quando perguntam se ela pode compartilhar algumas, ela diz que está com a lista ali. (Podcasts – Your Podcast Transcripts)

E então ela começa:

  1. O som dos meus filhos rindo
  2. Meu marido fazendo café da manhã para mim
  3. Speedy, Rice
  4. Estrela-do-mar
  5. Fazer cambalhota
  6. Encontrar um pente com o seu nome (alguém escondeu)
  7. Mary Poppins
  8. Todos os filmes da Melissa McCarthy
  9. Lavar o cabelo
  10. Tirar o salto
  11. Perguntar alguma coisa para alguém mais velho e a pessoa gritar: “O quê?”
  12. Animais de vidro — ela os colecionava quando criança
  13. Jolly Ranchers
  14. A melhor massa com manteiga e queijo
  15. “Usar um tutu”
  16. Minha casa de bonecas

E eu fiquei pensando: o que eu colocaria nessa listaEntão eu fiz a minha!

Eu comecei a pensar nas coisas que aparecem constantemente nas minhas conversas, nos meus projetos, nas coisas que eu compro, nas coisas que eu assisto, nas pequenas obsessões que eu tenho e até nas coisas que talvez outra pessoa olhasse e simplesmente não entendesse e percebi que a minha lista seria muito diferente da lista da Mariska.

Então esta é a minha lista! E talvez cada pessoa devesse ter uma lista também!

Não para provar que a vida é maravilhosa o tempo inteiro, mas para lembrar que, mesmo quando ela não é, ainda existem coisas que fazem valer a pena olhar um pouco mais de perto.

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