Eu sempre tive vontade de comer gyoza.
Sabe aquelas comidas que você vê em algum lugar, acha bonita, fica curiosa para saber qual é o gosto e pensa: “um dia eu ainda vou experimentar”? Então. O gyoza estava nessa categoria para mim há bastante tempo.
O problema é que, por aqui, não é uma coisa tão fácil de encontrar, quando aparece em algum restaurante ou lugar especializado, geralmente é daqueles pratos que você olha o preço e pensa duas vezes e eu também não tenho exatamente um restaurante japonês na esquina de casa onde eu possa simplesmente pedir uma porção para matar a curiosidade.
Então, em algum momento, pensei: por que eu não faço o meu próprio gyoza?
Foi aí que começou a aventura, fui procurar alguns tutoriais na internet e descobri que, apesar de parecer uma daquelas receitas super elaboradas, não era impossível de fazer em casa. Claro que eu não tinha todos os ingredientes, utensílios e recheios tradicionais. Mas isso nunca foi exatamente um impedimento para mim. Se eu tenho vontade de fazer uma coisa e não tenho tudo o que a receita pede, geralmente penso: “bom… vamos ver o que dá para fazer com o que eu tenho”e foi exatamente assim que nasceu o meu primeiro gyoza.
O gyoza possível
O recheio tradicional costuma levar carne suína, repolho, cebolinha, alho, gengibre e outros temperos, eu, por outro lado, abri a geladeira e trabalhei com a realidade disponível.
Fiz o recheio com bacon, cenoura e calabresa, não é o gyoza tradicional japonês. É o meu gyoza. 😂 e acho que essa é justamente a parte mais divertida de tentar fazer alguma coisa pela primeira vez em casa: você começa seguindo uma receita, mas inevitavelmente ela acaba ganhando um pouco da sua personalidade. Também não tinha os materiais específicos para fazer tudo exatamente como nos tutoriais que encontrei. Então fui improvisando, tentando entender como dobrar a massa, como colocar o recheio sem exagerar e, principalmente, como fazer aquilo tudo parar de parecer uma pequena almofadinha amassada, alguns ficaram mais bonitos que outros, alguns ficaram com cara de gyoza. Outros ficaram com cara de… bom, de uma coisa que claramente tinha sido feita pela primeira vez.
Mas todos eram meus.
E ficou bom?
Ficou! E acho que o mais interessante nem foi ter conseguido fazer um gyoza razoavelmente apresentável. Foi aquela sensação de finalmente experimentar uma coisa que eu tinha vontade de comer há tanto tempo.
Às vezes a gente coloca certas experiências numa categoria de “um dia eu faço”, porque parece que precisamos esperar a oportunidade perfeita: encontrar o restaurante certo, ter dinheiro para comprar, ter todos os ingredientes, ter o equipamento adequado… E, de repente, você percebe que pode simplesmente tentar.
E sinceramente? Para uma primeira tentativa, eu achei ótimo.
Receita de gyoza tradicional
Ingredients
Method
Como fazer a massa
Misture a farinha com o sal e vá adicionando a água quente aos poucos, mexendo até formar uma massa.Quando conseguir manuseá-la, sove por alguns minutos até ficar mais lisa e uniforme.Cubra e deixe descansar por cerca de 30 minutos.Depois, abra a massa bem fininha e corte pequenos círculos. Se quiser facilitar, também é possível comprar discos de massa próprios para gyoza.
Notes
- 300 g de carne suína moída
- 2 xícaras de repolho bem picadinho
- 2 a 3 cebolinhas picadas
- 1 dente de alho picado ou amassado
- 1 pedaço pequeno de gengibre ralado
- 1 colher de sopa de molho de soja (shoyu)
- 1 colher de chá de óleo de gergelim
- sal e pimenta-do-reino a gosto
- óleo para dourar
- água
Molhinho
Para acompanhar, uma combinação simples é:- shoyu
- vinagre de arroz
- algumas gotas de óleo de gergelim
- pimenta, se gostar
Mas o meu tinha bacon e calabresa
E talvez essa seja a parte mais importante dessa história! A receita tradicional é maravilhosa, mas a minha primeira experiência não aconteceu com carne suína moída, repolho e todos os ingredientes certinhos.

Aconteceu com bacon, cenoura e calabresa, porque era o que eu tinha em casa e acho que cozinhar também é um pouco sobre isso: pegar uma vontade que existe na nossa cabeça e tentar transformá-la em alguma coisa real, mesmo quando as condições não são perfeitas.
Eu queria comer gyoza.
Não tinha gyoza por perto.
Então fiz gyoza! Não exatamente o gyoza que eu imaginava, mas o suficiente para poder finalmente dizer: “Eu fiz.” AHAHAHHAH!

